O que a filosofia tem a dizer sobre consenso científico?

Publicado em 14 de junho de 2020

O que a filosofia tem a dizer sobre consenso científico? Tirinha apresentando duas respostas a essa questão bem urgente e com a qual a filosofia tem muito a contribuir. Referências no último quadrinho.

Levantamento Assuntos de Filosofia no ENEM

Publicado em 01 de junho de 2020

Tirinha sobre os assuntos de filosofia mais cobrados no ENEM e alguns materiais de apoio. Ressalto: o objetivo do post é apenas ajudar os estudantes, guiando-os em seus estudos e fornecendo referências confiáveis para pesquisa (por exemplo, alguns sites e o grupo público de professores no telegram). Não estou me comprometendo aqui com o formato do exame, nem com a escolha de temas ou autores, nem me posicionando em algum debate em ensino de filosofia. Fica para outro dia alguma publicação sobre esses assuntos extremamente pertinentes. Enquanto isso, seguem algumas referências a quem tiver interesse: 
🔹Gisele Secco – Filosofia no Ensino Médio: distinções preliminares para uma didática mínima da lógica (Controvérsia, 2013) 
🔹José Ruivo – O conhecimento como meta das escolas: algumas consequências epistêmicas para a educação (capítulo no livro “Epistemologia analítica, vol. 1”, Editora Fi, 2019) 
🔹Patrícia Velasco – Ensino de filosofia como campo de conhecimento: estado da arte (Revista Estudos de Filosofia e Ensino, 2019) 
🔹Renato Noguera – O Ensino de Filosofia e a Lei 10639 (Pallas, 2015) 
🔹Rodrigo Gelamo – O ensino da filosofia no limiar da contemporaneidade: o que faz o filósofo quando seu ofício é ser professor de filosofia? (Cultura Acadêmica, 2009)

Grupo Telegram Filosofia ENEM

Publicado em 19 de maio de 2020

Pessoal, criei um grupo público no Telegram para que estudantes e professores de filosofia tirem dúvidas sobre a área, pensando principalmente no ENEM. Muitas pessoas têm planos de dados que apenas permitem o acesso a aplicativos de mensagem ou que acabariam rapidamente assistindo a vídeos. O objetivo é, então, ajudar esses estudantes com mensagens de textos, áudios breves, diagramas, esquemas mentais ou, pelo menos, direcionando-os a sites confiáveis de primeira. Ressalto: não se trata de um grupo de debate entre filósofos! Sua única função é auxiliar os estudantes ali presentes (venham, estudantes!). 
Conto com vocês para tentarmos reduzir o impacto do contexto em que estamos na formação deles. Segue o link do grupo: https://t.me/filosofiaenem

Mercadores da dúvida

Publicado em 17 de maio de 2020

Quais são as ações mais recorrentes de negacionistas científicos? Tirinha sobre uma das principais referências sobre essa questão: o livro “Merchants of Doubt” [Mercadores da dúvida], escrito pelos historiadores da ciência Naomi Oreskes e Erik Conway, e fruto de anos de pesquisa em documentos tornados públicos no fim da década de 90. Fique em casa e, por favor, se não lhe é indiferente o conteúdo deste post, siga divulgadores científicos: 

@alexandre_araujoc @alyenado @amatemaniaca @binerighetti @blogmulheresfilosofia @cienciausp @existeumx @filosofas.brasil @hugofernandesbio @iqciencia @likelihoodratio @lxfranca @mandakaru.ciencia @nozcoletivo @nuncavi1cientista @obrigahistoria @oqtipod @shescience.podcast @via.saber @who_let_the_chimps_out …. citem outros nos comentários! 👇
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Muito mais sério: 🤨
🔸Karen Kovaka – Climate change denial and beliefs about science (Synthese, 2019) 
🔸José Leite – Cotrovérsias científicas ou negação da ciência? (Scientiae Studia, 2014) 
🔸Naomi Oreskes – Why trust science? (Princeton, 2019) 
🔸Naomi de novo e Erik Conway – Merchants of doubt (Bloomsbury, 2010)
🔸Sven Hansson – Science denial as a form of pseudoscience (Studies in History and Philosophy of Science, 2017)  
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Referências das manchetes: 📰https://bityli.com/DzKx9https://bityli.com/csazF e https://bityli.com/W48OK
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Site do livro: 📕https://www.merchantsofdoubt.org/home/key-documents

Falsos dilemas

Publicado em 04 de maio de 2020

Depois do dilúvio de falsos dilemas nos últimos meses, nada como explicar, rapidamente, em que consiste essa falácia e como evitá-la. Afinal de contas, o que está em jogo não é o maravilhoso poema da Cecília Meireles: “Ou se tem chuva e não se tem sol/ ou se tem sol e não se tem chuva! / Ou se calça a luva e não se põe o anel, / ou se põe o anel e não se calça a luva! / Quem sobe nos ares não fica no chão, / Quem fica no chão não sobe nos ares. / É uma grande pena que não se possa / estar ao mesmo tempo em dois lugares! / Ou guardo dinheiro e não compro o doce, / ou compro o doce e não guardo o dinheiro. / Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo… / e vivo escolhendo o dia inteiro! / Não sei se brinco, não sei se estudo, / se saio correndo ou fico tranquilo. / Mas não consegui entender ainda / qual é melhor: se é isto ou aquilo.”

Paradoxo da loteria

Publicado em 27 de abril de 2020

Depois do paradoxo da ficção, nada como outro paradoxo para nos entreter por algum intervalo de tempo e mudar o tom do que vemos por esses dias. Segue, então, uma sequência bem introdutória ao paradoxo da loteria. Ele é um pouco mais técnico que o outro, mas a diversão é garantida 😉
ps: agradeço ao Matheus Rui (UFSC) pela assessoria no post – um dos temas do doutorado dele é o paradoxo da loteria; vejam sua entrevista aqui na página.

Ciência e valores

Publicado em 06 de abril de 2020

A pandemia pela qual estamos passando tem suscitado questões diversas. Gostaria de mencionar, hoje, apenas aquelas que são investigadas por um ramo da filosofia da ciência chamado “ciência e valores”. Talvez vocês tenham visto governos que, se antes flertavam com conspirações anti-vacina, agora exigirem, de qualquer maneira e o mais rápido possível (além de com aqueeeela incoerência), uma vacina para o novo vírus. Ações como essa tem recebido forte reação da comunidade científica dos países envolvidos, uma vez que elas atropelariam todo o custoso processo de elaborar algo do gênero e suas medidas de segurança. Apenas tendo em mente esse cenário, várias questões espinhosas aparecem: em que condições intervenções governamentais no modo de agir da comunidade científica são legítimas? quais linhas de pesquisa e áreas científicas devem ser priorizadas em uma determinada sociedade, se for o caso de que algumas devam? quais as responsabilidades dos cientistas na elaboração, realização e comunicação de experimentos? como subsidiar políticas públicas em situações urgentes quando ainda não há evidência minimamente conclusiva sobre elementos importantes? o objetivo das ciências deve ser apenas o entendimento de fenômenos ou também o bem-estar da sociedade? Se for ambos objetivos, como organizá-los de modo a evitar que proposições sejam o caso simplesmente por que se quer que sejam? Caso você tenha se interessado por essas questões, listei abaixo algumas referências (autoria e título) sobre elas. A maioria está em português e é de fácil localização na internet. Aproveitem

Muito mais sério:

Brena Paula Magno Fernandes – Entrevista com Hugh Lacey
Débora Aymoré – Objetividade forte como alternativa à ciência livre de valores
Débora Aymoré, Kelly Koide e Mariana Toledo Ferreira – Ativismo, feminismo e filosofia da ciência: Entrevista com Helen Longino 
José Correa Leite – Controvérsias científicas ou negação da ciência? A agnotologia e a ciência do clima.
Kelly Koide, Mariana Toledo Ferreira, Marison Marini – Arqueologia e a crítica feminista: Entrevista com Alison Wylie.
Kevin Elliot – A Tapestry of Values: An Introduction to Values in Science
Marcos Barbosa de Oliveira – Formas de autonomia da ciência
Pablo Mariconda e Hugh Lacey – A águia e os estorninhos: Galileu e a autonomia da ciência
Philip Kitcher – Science in a Democratic Society
Revista Questão de Ciência – Em tempos de crise, vigilância contra má ciência deve ser redobrada
Stephen John – Inductive risk and the contexts of communication

Fronteiras imprecisas

Publicado em 02 de março de 2020

Bons diálogos são, às vezes, encerrados com a seguinte alegação: não há diferença entre A e B porque não se pode traçar uma fronteira precisa entre eles. Por exemplo: a partir de alguns casos de que não se sabe muito bem se são politicamente de esquerda ou de direita, infere-se não haver diferença entre esquerda e direita. Outro: concluir que não há diferença entre pseudociência e ciência, dado que há certa dificuldade sobre qual lado colocar determinadas práticas bem específicas. Como sugere, porém, o quadro acima do M. C. Escher (1898-1972), do fato de haver uma região em que não se sabe direito se ali há peixes ou pássaros não se segue que não haja como identificar as regiões com apenas peixes e apenas pássaros. Se você não gosta do Escher (o que me deixa muito triste, mas vida que segue), veja essa citação – retirada do livro “Pensamento Crítico” de W. Carnielli e R. Epstein – apelando a uma outra imagem: “Numa sala muito grande, iluminada por uma única vela num canto, não há lugar algum que possamos dizer que marca a fronteira entre a luz e a escuridão. Mas isso não significa que não haja diferença entre a luz e a escuridão. O fato de não podermos traçar uma fronteira não significa que não haja uma diferença óbvia entre os dois extremos”. Cometer esse tipo de erro do qual estamos falando aqui é muito comum e até recebeu um rótulo sugestivo: falácia da fronteira imprecisa. Consegue pensar em outras situações em que ela ocorre?

Muito mais sério:
Noberto Bobbio – Direita e esquerda: Razões e significados de uma distinção política (unesp, 2011)
Sven Ove Hansson – Ciência e pseudociência (Crítica na rede, 2018 – https://criticanarede.com/fciencia.html
Walter Carnielli e Richard Epstein – Pensamento Crítico: o poder da lógica e da argumentação (Rideel, 2011)