A maçã de Newton e outras lendas

Publicado em 11 de novembro de 2019

Uma maçã cai na cabeça de Issac Newton (1643-1727) e, não mais que de repente, tem-se criada a teoria da gravitação universal. Essa lenda da história da ciência foi mencionada em uma questão do ENEM de 2019. O texto com a lenda, porém, não foi escrito pela fonte dada pela prova: trata-se de uma citação feita pelo Professor Roberto de Andrade Martins de um curso chamado “The English Enlightenment”. O Professor Roberto não endossa, portanto, a lenda mencionada pela citação, como a questão faz parecer. Na verdade, ele a critica em diversas frentes em seu texto. Vejamos. Relatos de amigos próximos a Newton indicam que, muito provavelmente, houve o caso maçã no seguinte sentido: ele, meditando em seu jardim, viu uma maçã caindo e conjecturou se a gravidade não existiria também a grandes distâncias, além de perto da Terra. Essa descrição já mostra um falseamento da história que a lenda promove: pensar que Newton somente conjecturou a ideia de gravidade com o caso da maçã. Ora, não há como pensar que o âmbito da gravidade é maior ou menor se já não se tem uma alguma ideia de seu domínio. Ademais, conjecturar um âmbito maior da noção de gravidade ainda não constitui a teoria da gravitação de Newton (“todos os corpos se atraem com forças proporcionais às suas massas e inversamente proporcionais às distâncias”). A lenda confunde, portanto, essa teoria com uma simples explicação da queda de uma maçã pela gravidade – coisas bem distintas. Daí, também outro falseamento produzido: a ideia de que descobertas científicas ocorrem em um piscar de olhos. Conforme o próprio texto do Prof. Roberto mostra, Newton demorou anos para chegar à teoria da gravitação, tendo antes refeito cálculos, estudado outros autores (e.g., Descartes, Huygens, Galileu) etc.. Esses são os efeitos danosos de uma narrativa que, à primeira vista, parece inócua. Um outro caso seria o tal do suposto encontro entre D. Pedro II e Nietzsche ou mesmo aquele da filha mecânica (!) de Descartes. As consequências dessas últimas lendas você encontra nas referências abaixo.

Muito mais sério:

MARTINS, Roberto de Andrade. A maçã de Newton: história, lendas e tolices. In: SILVA, Cibelle Celestino(ed.). Estudos de história e filosofia das ciências: subsídios para aplicação no ensino. São Paulo: Livraria da Física, 2006. Disponível em: <https://www.academia.edu/…/A_maçã_de_Newton_história…>
Nietzsche e D. Pedro II: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext…
A filha autômata de Descartes: https://doi.org/10.1017/S147924431600024X

Aquecimento global: fontes do consenso

Publicado em 04 de novembro de 2019

Em uma pesquisa de opinião pública sobre aquecimento global publicada em julho deste ano, o Instituto Datafolha revelou que 15% dos 2086 entrevistados acreditavam na tese segundo a qual a Terra não está ficando mais quente, ao passo que os 85% restantes pensavam que ela está. Dentro da parcela que concordava com o aquecimento global, 72% criam que as atividades humanas contribuem muito para o aquecimento, enquanto que 18% pensavam que elas contribuem pouco e, finalmente, 10% acreditavam que tal contribuição não existe. Somando os 10% de 85% (8,5%) que acreditavam no aquecimento global, mas não na contribuição humana para ele, com os 15% dos entrevistados que não concordavam que a Terra está se aquecendo, temos 23,5% dos entrevistados na contramão do consenso científico sobre essa temática. De onde vem tal consenso?Em uma revisão bibliográfica de 928 artigos científicos sobre mudanças climáticas publicados em periódicos de 1993 a 2003 (referências abaixo, leitores ansiosos), Naomi Oreskes não encontrou sequer um contrário à tese de que o aquecimento global é devido a atividades humanas. Em um levantamento mais recente, que analisou 11.944 artigos publicados de 1991 a 2011, descobriu-se que 97,1% endossavam a tese do aquecimento global antropogênico (isto é, causado pelo ser humano). Curiosamente, uma pesquisa que tentava reproduzir os resultados dos 2% restantes encontrou diversas falhas metodológicas. Esses resultados interessam à filosofia de diversas formas; em particular, alguns filósofos têm se dedicado a entender melhor o que caracteriza esse consenso qualificado em torno do aquecimento global antropogênico e as razões para ele ser confiável. Sobre isso, a gente conversa outro dia. Por enquanto, dados para embasar e fomentar a discussão.

Muito mais sério:
Artigo Oreskes (“The Scientific Consensus on Climate Change”): https://science.sciencemag.org/content/306/5702/1686/tab-pdf
Artigo levantamento 2013 (“Quantifying the consensus on anthropogenic global warming in the scientific literature”): https://iopscience.iop.org/…/1748-9326/8/2/024024/pdf 
Artigo dos 2% (“Learning from mistakes in climate research”): https://link.springer.com/…/10.1007/s00704-015-1597-5… 
Artigo sobre epistemologia social e IPCC: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/japp.12178 
Matéria Datafolha: http://datafolha.folha.uol.com.br/…/1988289-para-85-dos…

Love Truth Again!

Publicado em 28 de outubro de 2019

Quando o historiador israelense Yuval Noah Harari (autor do best-seller “Sapiens”) disse que a filosofia poderia ser a profissão do futuro, filósofos começaram a ansiar pelo porvir como nunca antes. Para ele, a intensificação da inteligência artificial demandaria mais filósofos para auxiliar na programação de máquinas que lidem com dilemas morais. O autor, porém, faz um alerta: será possível, pela primeira vez na história, processar filósofos pelos resultados de suas teorias. É esse realmente o caso? Mais precisamente, ideias filosóficas têm sido até hoje inócuas? Vivendo em “circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais” (a célebre definição de pós-verdade dada pela Oxford Dictionaries), parece que, se há algum fator filosófico que colaborou com essa situação, então não, não é o caso que ideias filosóficas tenham sido inócuas. Em um livro sobre a temática da pós-verdade publicado em 2018, o filósofo da ciência Lee McIntyre (Boston University) analisa cinco fatores que contribuíram para a pós-verdade: negacionismo científico (veja nosso post “Mercadores da dúvida”), vieses cognitivos, derrocada da mídia tradicional, surgimento de mídias alternativas e… pós-modernismo. McIntyre define pós-modernismo a partir de duas teses: não há verdade objetiva e qualquer declaração de verdade é meramente reflexo da agenda política de seu enunciador. Embora alguns autores defendam que a corrente pós-moderna teve um impacto apenas dentro das universidades (não vemos o Ricardo Salles citando Derrida para negar mudanças climáticas, por exemplo), McIntyre mostra que isso é falso: o fundador do movimento contrário ao ensino da teoria evolutiva nas escolas estadunidenses cita explicitamente autores e teses pós-modernas para sustentar suas propostas; e Mike Cernovich, um dos grandes blogueiros apoiadores de Trump (517 mil seguidores no Twitter), fez o mesmo ao defender suas teorias conspiratórias durante as eleições de 2016 nos EUA. Para finalizar, uma citação do próprio McIntyre: “Esse é o custo de brincar com ideias como se elas não tivessem consequências. É bem divertido atacar a verdade na academia, mas o que acontece quando as táticas vazam para as mãos de negadores da ciência e de teóricos da conspiração, ou políticos que insistem serem seus instintos melhores do que qualquer evidência?”. Atenção ao vão entre o trem e a plataforma, filósofos. 

Muito mais sério:
Bruno Latour pedindo desculpas: http://www.bruno-latour.fr/…/89-CRITICAL-INQUIRY-GB.pdf 
McIntyre, Lee. Post-truth. Cambridge: MIT Press, 2018.
Matéria Harari: https://economia.uol.com.br/…/filosofia-pode-ser… 
Robert Pennock. The Postmodern Sin of Intelligent Design Creationism. Science & Education 19.6-8 (2010): 757-78

Efeito financiamento

Publicado em 21 de outubro de 2019

Em tempos em que o financiamento privado de pesquisas científicas é encarado como uma panaceia, é importante refletir um pouco sobre seus limites. Desde a década de 90, alguns filósofos da ciência e epistemólogos sociais têm se dedicado a essa tarefa. Um dos principais resultados ao qual chegaram ficou conhecido sob o rótulo “efeito de financiamento”: a tendência de pesquisas científicas apoiarem as posições de quem as financiou. Mais concretamente, um levantamento mostrou que artigos sobre ensaios médicos financiados por instituições com interesse financeiro no resultado têm, aproximadamente, quatro vezes mais chances de apresentar resultados favoráveis a essas instituições do que artigos financiados independentemente. O caso mais flagrante é o do medicamento Vioxx, retirado de circulação em 2004. Dúvidas sobre seus efeitos colaterais por parte dos cientistas responsáveis pela sua criação existiam desde antes de sua disseminação. Pesquisas para investiga-las foram, porém, desencorajadas pela empresa, a qual, quando esteve sob pressão pública para provar a segurança do medicamento, divulgou relatórios e artigos em que os pesquisadores omitiam dados essenciais. Como impedir casos como esse também é um tema amplamente discutido: criação de mais órgãos reguladores ou sua extinção? eliminar ou não patentes? pesquisa totalmente pública ou também essa promove vieses? Mais uma vez, a questão não é fácil e, pior, em tempos como esse ela sequer aparece. Esse efeito, contudo, há de passar 😉

Muito mais sério:

Biddle, Justin. Lessons from the Vioxx Debacle: What the Privatization of Science Can Teach Us About Social Epistemology. Social Epistemology: A Journal of Knowledge, Culture and Policy, vol. 21, n. 1, p. 21-39, 2007.
Elliot, Kevin C.; Steel, Daniel (eds.). Current Controversies in Values and Science. New York: Routledge, 2017.
Oliveira, Marcos Barbosa de. Desmercantilizar a tecnociência. In: SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.). Conhecimento prudente para uma vida decente: “Um discurso sobre as ciências” revisitado. São Paulo: Cortez, 2004. p. 241-266
Resnik, David B. The price of truth: How money affects the norms of science. Oxford: Oxford University Press, 2007.

Sei que 'x' é melhor que 'y', mas faço 'x'?

Publicado em 16 de outubro de 2019

Você considera que fazer “x” é melhor que fazer “y”, ainda assim faz, de maneira intencional, “y”. A esse tipo de situação a filosofia cunhou o termo acrasia, incontinência ou fraqueza da vontade. Desde Sócrates até hoje, filósofos se interrogam sobre sua possibilidade ou impossibilidade e, admitindo o primeiro caso, sua racionalidade ou irracionalidade. Embora pareça muito plausível defender que ela é possível, pode-se questionar se, no caso em que alguém realiza uma ação do gênero, ela realmente sabia que “’x’ é melhor que ‘y’”. O debate sobre a acrasia discute, então, como um juízo sobre qual é a melhor ação a ser feita influencia a própria ação. Supondo a possibilidade da acrasia, parece que há muito mais em jogo na ação de alguém do que seus juízos e motivações, o que explicaria sua possibilidade. Há, em particular, uma tradição filosófica segundo a qual o ambiente em que está determinada pessoa pode tirar qualquer papel do que ela pensa ser mais racional no seu agir (para alguém que quer evitar bebidas alcoólicas, é muito mais difícil fazê-lo em um bar do que antes de uma reunião importante de trabalho dentro de um prédio onde só há água, café e exploração). Entretanto, enfatizar demais aspectos externos a um agente não permite explicar por que, afinal de contas, a ação acrática nos parece estranha, uma vez que o juízo de que “x’ é melhor que y’” parece ter ali um papel muito importante. Assim como tudo em filosofia, não há resposta pronta ou fácil. Particularmente, eu consideraria que ler as referências abaixo é o melhor a ser feito.

Muito mais sério:
O Problema da Fraqueza da Vontade na Filosofia Prática Kantiana (Antonio Frederico Saturnino): https://revistas.ufrj.br/…/ana…/article/view/16233/10171
Seção V de Viver bem – a ética de Aristóteles (Christopher Shields): https://criticanarede.com/viverbem.html
Verbete SEP (Sarah Stroud e Larisa Svirsky): https://plato.stanford.edu/entries/weakness-will/

Filosofia no ENEM

Publicado em 14 de outubro de 2019

Filosofia é uma das disciplinas que compõe a área de “Ciências Humanas e suas Tecnologias” do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), cujas provas acontecem no próximo mês. Sua presença nesse exame levanta questões diversas. Fica para outro dia a discussão delas. Hoje, gostaria apenas de fornecer algumas referências confiáveis para os candidatos revisarem o conteúdo desse saber que jamais se esgota em décadas de estudo, que dirá no conteúdo de uma prova ou nos três anos em que ela é estudada no ensino médio. Pois bem, o Guia do Estudante publicou um levantamento com os temas mais cobrados de filosofia. O site, porém, direciona cada conteúdo a suas próprias matérias sobre o assunto as quais não são, por vezes, adequadas. Seguem a seguir, então, o levantamento e três referências online mais bem fundamentadas que, certamente, poderão lhe ajudar nessa reta final. Desde já, um ótimo exame! 😉

Levantamento:
Aristóteles e escola helenística (18,8%)
Racionalismo moderno (18,8%)
Escola sofística, Sócrates e Platão (12,5%)
Filosofia contemporânea (12,4%)
Escola de Frankfurt (9,4%)
Filosofia Medieval (6,3%)
Idealismo alemão (6,3%)
Renascimento (6,3%)
Immanuel Kant (3,1%)
O surgimento da Filosofia (3,1%)

Muito mais sério:
Aires Almeida – Dicionário escolar de filosofia: https://criticanarede.com/dicionario.html
Juvenal Savian Filho – Filosofia e Filosofias: https://issuu.com/editoraftd/docs/filosofia_autentica
Podcast Filosofia Pop: https://filosofiapop.com.br/category/podcast/
Matéria guia do estudante: https://guiadoestudante.abril.com.br/…/quais-os-assuntos-m…/

Árbitro de vídeo e filosofia da tecnologia

Publicado em 30 de setembro de 2019

Há poucos anos, grandes expectativas eram colocadas no árbitro assistente de vídeo (na sigla em inglês, o famigerado VAR). “Sem mais polêmicas em erros cruciais de arbitragem”, prometiam. Hoje, é raro passar uma semana sem ouvir alguma discussão em torno dele. Uma parte do debate talvez ocorra pelo desmoronamento da ilusão de infalibilidade que permeava essa tecnologia – ilusão que favorece a quem? Outra parte, porém, deriva de afirmações segundo as quais o árbitro de vídeo tem mudado o funcionamento do jogo de futebol. Exemplos: além de que a demora na revisão atrapalharia a fluidez da partida, alega-se, por vezes, que ele eliminaria o fator humano de grande parte das decisões de tal esporte – ou mesmo que acabaria promovendo a ideia de que o futebol é um jogo dependente exclusivamente das decisões dos juízes em detrimento daquelas feitas pelos técnicos e jogadores. Subjacente a falas como essa, está presente, eventualmente, uma crítica à tese da neutralidade da tecnologia. Ora, se o árbitro de vídeo promove certos fins e não outros, então uma tecnologia não é exclusivamente, digamos, sua função técnica: ela também incorpora certos valores (éticos, políticos, estéticos, etc.) que podem entrar em conflito com os valores do meio em que ela será inserida. Ao se reconhecer a não-neutralidade da tecnologia, torna-se evidente como ela pode ser alterada de modo a incorporar valores outros. De todo modo, a discussão sobre quais valores devem ser incorporados pouco tem de… técnica! Falibilidade, neutralidade e natureza da tecnologia são algumas das discussões da chamada Filosofia da Tecnologia, área cuja incidência, como vimos, está tão perto de nós como uma discussão sobre o VAR no fim da rodada.

Muito mais sério:
Collins, H. The Philosophy of Umpiring and the Introduction of Decision-Aid Technology. Journal of the Philosophy of Sport, vol. 37, n.2, p.135–146, 2010.
Cupani, A. Filosofia da Tecnologia: um convite. Florianópolis: Editora da UFSC, 2011.
Dusek, V. Filosofia da Tecnologia. Tradução de Luis Carlos Borges. São Paulo: Edições Loyola, 2009.
Johnson, C., & Taylor, J.. Rejecting Technology: A Normative Defense of Fallible Officiating. Sport, Ethics and Philosophy, vol. 10, n. 2, p. 148–160, 2016..
Rohden, L. [et al.]. Filosofia e futebol: troca de passes. Porto Alegre: Sulina, 2012.

Mercadores da dúvida

Publicado em 25 de setembro de 2019

Ainda sem tradução para o português, o livro “Mercadores da dúvida” dos historiadores da ciência Naomi Oreskes (Harvard) e Erik Conway (Caltech) em muito auxilia a entender as campanhas difamatórias contra a ciência e os cientistas. Resultado de cinco anos de pesquisa em arquivos quase que integralmente disponibilizados na internet, os autores mostram as estratégias promovidas por parte da indústria, da mídia e de alguns cientistas para negar, mitigar ou dissolver o consenso científico em torno de resultados danosos à indústria, como a relação de causalidade entre tabaco e câncer de pulmão ou a contribuição das indústrias de combustíveis fósseis para as mudanças climáticas. “A dúvida é nosso produto” como diria um executivo em 1969. Para fomentá-la, o apelo à ideia de que a mídia deveria mostrar os dois lados de cada assunto – entre outras coisas. Mostrar os dois lados de cada assunto não deveria ser, como dizem os autores, dar igual peso a ambos, senão evidenciar precisamente qual lado tem mais peso. Pois bem, no caso das mudanças climáticas, centenas de programas de TV ainda mostravam o assunto como não consensual entre cientistas nos anos 2000. Em uma análise de 928 artigos científicos publicados em periódicos sobre o tema entre 1992 e 2002, Oreskes trouxe um resultado espantoso: nenhum deles discordava de que o aquecimento global é devido ao aumento de gases do efeito estufa. Ainda assim, cientistas apoiados financeiramente por grandes corporações (e sem especialidade em climatologia) negavam tais resultados em jornais de grande circulação. Cientistas do clima procuravam respondê-los. Quando publicadas, suas cartas de resposta eram drasticamente editadas. Quando não eram publicadas, eles as enviavam para periódicos científicos cuja circulação jamais atingiria o mesmo público de um grande jornal. Por que tudo isso? Para os autores, porque o cerne da questão é, na verdade, regulação e não ciência. Não à toa, negacionistas alegam a possibilidade do fim da liberdade individual ou o advento de uma ditadura ao se abordar tais questões. Por que não, afinal de contas, discutir regulação diretamente?

Muito mais sério:
BIDDLE, J., [et al.]. Epistemic Corruption and Manufactured Doubt: The Case of Climate Science. Public Affairs Quarterly, vol., 31, n. 3, p. 165-187, 2017.
Páginas do Professor Alexandre Araújo Costa (UECE): Instagram: @alexandre_araujoc; Twitter: @alexaraujoc; Facebook: https://www.facebook.com/OQueVoceFariaSeSoubesse/; Blog: http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com; Canal: https://www.youtube.com/channel/UCxgRxPTCZqeB6Rx_VKvVN6A .
LEITE, J. C.. Controvérsias científicas ou negação da ciência? A agnotologia e a ciência do clima. Scientiae Studia (USP), v. 12, p. 179-189, 2014.
ORESKES, N.; CONWAY, E. M.. Merchants of doubt: how a handful of scientists obscured the truth on issues from tobacco smoke to global warming. Nova York: Bloomsbury Press, 2010.
Site do livro: https://www.merchantsofdoubt.org/home/key-documents/