5 textos acadêmicos sobre fake news

Publicado em 19 de outubro de 2020

Em pareceria com o site ComunicoLog (@comunicolog), publicamos parte de uma matéria em que Fernando Strongen indica textos acadêmicos sobre Fake News. Após se formar em Filosofia e em Jornalismo, Fernando está agora no doutorado em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB). Sua pesquisa tem como título “Internet e Fake News: a desordem informacional na Era da Internet” e já foi divulgada aqui no projeto filosofia a sério. Caso tenha ficado interessado por ela e pelos textos indicados, não deixe de acessar a matéria completa em que há outras indicações de leitura: https://comunicolog.com.br/…/10-textos-academicos-sobre… Até a próxima!Obra da primeira imagem: El castillo de Jorge Méndez Blake

10 perfis de filosofia para acompanhar no instagram

Publicado em 28 de setembro de 2020

Depois de divulgar podcasts e canais de filosofia (se ainda não viu esses posts, dê uma procurada no feed – há muuuuito projeto excelente!), hoje eu gostaria de indicar 10 perfis de filosofia que produzem conteúdo principalmente no Instagram. Conhece mais alguma iniciativa do gênero que não mencionei? Deixe o @ nos comentários!Edmundo A. Steffen – @edmundo.steffenEstudos de filosofia Prof. Fabiana – @estudosdefilosofiaFilósofa de interrogação – @filosofa.deinterrogacaoFilósofas na rede – @filosofas.na.redeFilosofia Dendicasa – @filosofiadendicasaFilosofia para todos! – @liafreitasfiloFilosofia na sala de aula UNIRIO – @sofianasaladeaulaMiguel Bugalski – @miguelbugalskiSaberes Localizados – @sabereslocalizadosYasmin Haddad – @yashaddad_

Levantamento Assuntos de Filosofia no ENEM

Publicado em 01 de junho de 2020

Tirinha sobre os assuntos de filosofia mais cobrados no ENEM e alguns materiais de apoio. Ressalto: o objetivo do post é apenas ajudar os estudantes, guiando-os em seus estudos e fornecendo referências confiáveis para pesquisa (por exemplo, alguns sites e o grupo público de professores no telegram). Não estou me comprometendo aqui com o formato do exame, nem com a escolha de temas ou autores, nem me posicionando em algum debate em ensino de filosofia. Fica para outro dia alguma publicação sobre esses assuntos extremamente pertinentes. Enquanto isso, seguem algumas referências a quem tiver interesse: 
🔹Gisele Secco – Filosofia no Ensino Médio: distinções preliminares para uma didática mínima da lógica (Controvérsia, 2013) 
🔹José Ruivo – O conhecimento como meta das escolas: algumas consequências epistêmicas para a educação (capítulo no livro “Epistemologia analítica, vol. 1”, Editora Fi, 2019) 
🔹Patrícia Velasco – Ensino de filosofia como campo de conhecimento: estado da arte (Revista Estudos de Filosofia e Ensino, 2019) 
🔹Renato Noguera – O Ensino de Filosofia e a Lei 10639 (Pallas, 2015) 
🔹Rodrigo Gelamo – O ensino da filosofia no limiar da contemporaneidade: o que faz o filósofo quando seu ofício é ser professor de filosofia? (Cultura Acadêmica, 2009)

Vieses cognitivos

Publicado em 18 de novembro de 2019

Um ministro que nega o aquecimento global por ter passado frio em Roma. Aquele tio que, após receber uma notícia refutando o que acreditava, passa a acreditar ainda mais no que ela critica. Nós mesmos, na maioria do tempo, interpretando o que quer que seja como uma prova de nossas ideias prediletas. Feliz ou infelizmente, atitudes como essas podem, de certo modo, ser explicadas pela noção de vieses cognitivos – objeto de estudo da psicologia cognitiva de uns 60 anos pra cá. De modo grosseiro, eles podem ser definidos como desvios sistemáticos de padrões de racionalidade em nossos juízos ou tomadas de decisão. Interpretar o que quer que seja como prova de uma ideia predileta é um deles (viés de confirmação). Ao receber uma refutação, passar a acreditar ainda mais no que foi refutado, outro (efeito tiro pela culatra). A tendência de indivíduos com pouco conhecimento acharem que, na verdade, eles sabem muito mais – o que leva um ministro a pronunciar, sem receio nenhum, uma confusão básica sobre a distinção entre clima e tempo -, mais outro (efeito Dunning-Kruger). Nem todos os resultados sobre essa temática, contudo, nos deixam ainda mais desesperançosos com a possibilidade de melhorarmos nossas práticas cognitivas. Em um artigo de 2010 no contexto de uma pesquisa sobre comportamento de eleitores, foi descoberto um ponto de inflexão a partir do qual a presença massiva de informações contrárias a expectativas prévias passa, finalmente, a ter um papel de desconfirmação: eleitores não são imunes a informações que desconfirmem suas opiniões, conclui o estudo. E saber disso tudo, seres com polegares, tem qual efeito?

Artigo de 2010 (The Affective Tipping Point: Do Motivated Reasoners Ever “Get It”?): https://doi.org/10.1111/j.1467-9221.2010.00772.x
Capítulo 3 de MCINTYRE, Lee. Post-truth. Cambridge: MIT Press, 2018.
Davi Carvalho – POR QUE AS PESSOAS ACREDITAM EM FAKE NEWS, SEGUNDO A PSICOLOGIA SOCIAL. https://www.blogs.unicamp.br/…/fake-news-por-que-as…/…
KAHNEMAN, David. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
Série de vídeos sobre vieses cognitivos (Wireless Philosophy): https://youtu.be/TCBALVumrUQ

Love Truth Again!

Publicado em 28 de outubro de 2019

Quando o historiador israelense Yuval Noah Harari (autor do best-seller “Sapiens”) disse que a filosofia poderia ser a profissão do futuro, filósofos começaram a ansiar pelo porvir como nunca antes. Para ele, a intensificação da inteligência artificial demandaria mais filósofos para auxiliar na programação de máquinas que lidem com dilemas morais. O autor, porém, faz um alerta: será possível, pela primeira vez na história, processar filósofos pelos resultados de suas teorias. É esse realmente o caso? Mais precisamente, ideias filosóficas têm sido até hoje inócuas? Vivendo em “circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais” (a célebre definição de pós-verdade dada pela Oxford Dictionaries), parece que, se há algum fator filosófico que colaborou com essa situação, então não, não é o caso que ideias filosóficas tenham sido inócuas. Em um livro sobre a temática da pós-verdade publicado em 2018, o filósofo da ciência Lee McIntyre (Boston University) analisa cinco fatores que contribuíram para a pós-verdade: negacionismo científico (veja nosso post “Mercadores da dúvida”), vieses cognitivos, derrocada da mídia tradicional, surgimento de mídias alternativas e… pós-modernismo. McIntyre define pós-modernismo a partir de duas teses: não há verdade objetiva e qualquer declaração de verdade é meramente reflexo da agenda política de seu enunciador. Embora alguns autores defendam que a corrente pós-moderna teve um impacto apenas dentro das universidades (não vemos o Ricardo Salles citando Derrida para negar mudanças climáticas, por exemplo), McIntyre mostra que isso é falso: o fundador do movimento contrário ao ensino da teoria evolutiva nas escolas estadunidenses cita explicitamente autores e teses pós-modernas para sustentar suas propostas; e Mike Cernovich, um dos grandes blogueiros apoiadores de Trump (517 mil seguidores no Twitter), fez o mesmo ao defender suas teorias conspiratórias durante as eleições de 2016 nos EUA. Para finalizar, uma citação do próprio McIntyre: “Esse é o custo de brincar com ideias como se elas não tivessem consequências. É bem divertido atacar a verdade na academia, mas o que acontece quando as táticas vazam para as mãos de negadores da ciência e de teóricos da conspiração, ou políticos que insistem serem seus instintos melhores do que qualquer evidência?”. Atenção ao vão entre o trem e a plataforma, filósofos. 

Muito mais sério:
Bruno Latour pedindo desculpas: http://www.bruno-latour.fr/…/89-CRITICAL-INQUIRY-GB.pdf 
McIntyre, Lee. Post-truth. Cambridge: MIT Press, 2018.
Matéria Harari: https://economia.uol.com.br/…/filosofia-pode-ser… 
Robert Pennock. The Postmodern Sin of Intelligent Design Creationism. Science & Education 19.6-8 (2010): 757-78

Efeito financiamento

Publicado em 21 de outubro de 2019

Em tempos em que o financiamento privado de pesquisas científicas é encarado como uma panaceia, é importante refletir um pouco sobre seus limites. Desde a década de 90, alguns filósofos da ciência e epistemólogos sociais têm se dedicado a essa tarefa. Um dos principais resultados ao qual chegaram ficou conhecido sob o rótulo “efeito de financiamento”: a tendência de pesquisas científicas apoiarem as posições de quem as financiou. Mais concretamente, um levantamento mostrou que artigos sobre ensaios médicos financiados por instituições com interesse financeiro no resultado têm, aproximadamente, quatro vezes mais chances de apresentar resultados favoráveis a essas instituições do que artigos financiados independentemente. O caso mais flagrante é o do medicamento Vioxx, retirado de circulação em 2004. Dúvidas sobre seus efeitos colaterais por parte dos cientistas responsáveis pela sua criação existiam desde antes de sua disseminação. Pesquisas para investiga-las foram, porém, desencorajadas pela empresa, a qual, quando esteve sob pressão pública para provar a segurança do medicamento, divulgou relatórios e artigos em que os pesquisadores omitiam dados essenciais. Como impedir casos como esse também é um tema amplamente discutido: criação de mais órgãos reguladores ou sua extinção? eliminar ou não patentes? pesquisa totalmente pública ou também essa promove vieses? Mais uma vez, a questão não é fácil e, pior, em tempos como esse ela sequer aparece. Esse efeito, contudo, há de passar 😉

Muito mais sério:

Biddle, Justin. Lessons from the Vioxx Debacle: What the Privatization of Science Can Teach Us About Social Epistemology. Social Epistemology: A Journal of Knowledge, Culture and Policy, vol. 21, n. 1, p. 21-39, 2007.
Elliot, Kevin C.; Steel, Daniel (eds.). Current Controversies in Values and Science. New York: Routledge, 2017.
Oliveira, Marcos Barbosa de. Desmercantilizar a tecnociência. In: SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.). Conhecimento prudente para uma vida decente: “Um discurso sobre as ciências” revisitado. São Paulo: Cortez, 2004. p. 241-266
Resnik, David B. The price of truth: How money affects the norms of science. Oxford: Oxford University Press, 2007.

Sei que 'x' é melhor que 'y', mas faço 'x'?

Publicado em 16 de outubro de 2019

Você considera que fazer “x” é melhor que fazer “y”, ainda assim faz, de maneira intencional, “y”. A esse tipo de situação a filosofia cunhou o termo acrasia, incontinência ou fraqueza da vontade. Desde Sócrates até hoje, filósofos se interrogam sobre sua possibilidade ou impossibilidade e, admitindo o primeiro caso, sua racionalidade ou irracionalidade. Embora pareça muito plausível defender que ela é possível, pode-se questionar se, no caso em que alguém realiza uma ação do gênero, ela realmente sabia que “’x’ é melhor que ‘y’”. O debate sobre a acrasia discute, então, como um juízo sobre qual é a melhor ação a ser feita influencia a própria ação. Supondo a possibilidade da acrasia, parece que há muito mais em jogo na ação de alguém do que seus juízos e motivações, o que explicaria sua possibilidade. Há, em particular, uma tradição filosófica segundo a qual o ambiente em que está determinada pessoa pode tirar qualquer papel do que ela pensa ser mais racional no seu agir (para alguém que quer evitar bebidas alcoólicas, é muito mais difícil fazê-lo em um bar do que antes de uma reunião importante de trabalho dentro de um prédio onde só há água, café e exploração). Entretanto, enfatizar demais aspectos externos a um agente não permite explicar por que, afinal de contas, a ação acrática nos parece estranha, uma vez que o juízo de que “x’ é melhor que y’” parece ter ali um papel muito importante. Assim como tudo em filosofia, não há resposta pronta ou fácil. Particularmente, eu consideraria que ler as referências abaixo é o melhor a ser feito.

Muito mais sério:
O Problema da Fraqueza da Vontade na Filosofia Prática Kantiana (Antonio Frederico Saturnino): https://revistas.ufrj.br/…/ana…/article/view/16233/10171
Seção V de Viver bem – a ética de Aristóteles (Christopher Shields): https://criticanarede.com/viverbem.html
Verbete SEP (Sarah Stroud e Larisa Svirsky): https://plato.stanford.edu/entries/weakness-will/

Filosofia no ENEM

Publicado em 14 de outubro de 2019

Filosofia é uma das disciplinas que compõe a área de “Ciências Humanas e suas Tecnologias” do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), cujas provas acontecem no próximo mês. Sua presença nesse exame levanta questões diversas. Fica para outro dia a discussão delas. Hoje, gostaria apenas de fornecer algumas referências confiáveis para os candidatos revisarem o conteúdo desse saber que jamais se esgota em décadas de estudo, que dirá no conteúdo de uma prova ou nos três anos em que ela é estudada no ensino médio. Pois bem, o Guia do Estudante publicou um levantamento com os temas mais cobrados de filosofia. O site, porém, direciona cada conteúdo a suas próprias matérias sobre o assunto as quais não são, por vezes, adequadas. Seguem a seguir, então, o levantamento e três referências online mais bem fundamentadas que, certamente, poderão lhe ajudar nessa reta final. Desde já, um ótimo exame! 😉

Levantamento:
Aristóteles e escola helenística (18,8%)
Racionalismo moderno (18,8%)
Escola sofística, Sócrates e Platão (12,5%)
Filosofia contemporânea (12,4%)
Escola de Frankfurt (9,4%)
Filosofia Medieval (6,3%)
Idealismo alemão (6,3%)
Renascimento (6,3%)
Immanuel Kant (3,1%)
O surgimento da Filosofia (3,1%)

Muito mais sério:
Aires Almeida – Dicionário escolar de filosofia: https://criticanarede.com/dicionario.html
Juvenal Savian Filho – Filosofia e Filosofias: https://issuu.com/editoraftd/docs/filosofia_autentica
Podcast Filosofia Pop: https://filosofiapop.com.br/category/podcast/
Matéria guia do estudante: https://guiadoestudante.abril.com.br/…/quais-os-assuntos-m…/