Documentário: Ensino de Filosofia

Publicado em 09 de novembro de 2020

Indicação: Qual o impacto da Reforma do Ensino Médio e do Escola sem Partido no ensino da Filosofia? Enquanto disciplina, como ela esteve presente na educação brasileira? O que fazer frente às ameaças que tem recebido? Lançado em 15 de outubro, o documentário “Ensino de Filosofia: em defesa do pensamento crítico” tem muito a contribuir para a discussão dessas questões. Dirigido por Diego Felipe Souza e Vladimir Santafé, o média-metragem conta com depoimentos de professores do ensino superior e da educação básica, além de narrações de trechos filosóficos pela atriz Tatiana Henrique. Não deixe, então, de conferir o material integralmente disponibilizado na plataforma Bombozila: https://bombozila.com/ensino-de-filosofia-brasil/

Falsos dilemas

Publicado em 04 de maio de 2020

Depois do dilúvio de falsos dilemas nos últimos meses, nada como explicar, rapidamente, em que consiste essa falácia e como evitá-la. Afinal de contas, o que está em jogo não é o maravilhoso poema da Cecília Meireles: “Ou se tem chuva e não se tem sol/ ou se tem sol e não se tem chuva! / Ou se calça a luva e não se põe o anel, / ou se põe o anel e não se calça a luva! / Quem sobe nos ares não fica no chão, / Quem fica no chão não sobe nos ares. / É uma grande pena que não se possa / estar ao mesmo tempo em dois lugares! / Ou guardo dinheiro e não compro o doce, / ou compro o doce e não guardo o dinheiro. / Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo… / e vivo escolhendo o dia inteiro! / Não sei se brinco, não sei se estudo, / se saio correndo ou fico tranquilo. / Mas não consegui entender ainda / qual é melhor: se é isto ou aquilo.”

Fronteiras imprecisas

Publicado em 02 de março de 2020

Bons diálogos são, às vezes, encerrados com a seguinte alegação: não há diferença entre A e B porque não se pode traçar uma fronteira precisa entre eles. Por exemplo: a partir de alguns casos de que não se sabe muito bem se são politicamente de esquerda ou de direita, infere-se não haver diferença entre esquerda e direita. Outro: concluir que não há diferença entre pseudociência e ciência, dado que há certa dificuldade sobre qual lado colocar determinadas práticas bem específicas. Como sugere, porém, o quadro acima do M. C. Escher (1898-1972), do fato de haver uma região em que não se sabe direito se ali há peixes ou pássaros não se segue que não haja como identificar as regiões com apenas peixes e apenas pássaros. Se você não gosta do Escher (o que me deixa muito triste, mas vida que segue), veja essa citação – retirada do livro “Pensamento Crítico” de W. Carnielli e R. Epstein – apelando a uma outra imagem: “Numa sala muito grande, iluminada por uma única vela num canto, não há lugar algum que possamos dizer que marca a fronteira entre a luz e a escuridão. Mas isso não significa que não haja diferença entre a luz e a escuridão. O fato de não podermos traçar uma fronteira não significa que não haja uma diferença óbvia entre os dois extremos”. Cometer esse tipo de erro do qual estamos falando aqui é muito comum e até recebeu um rótulo sugestivo: falácia da fronteira imprecisa. Consegue pensar em outras situações em que ela ocorre?

Muito mais sério:
Noberto Bobbio – Direita e esquerda: Razões e significados de uma distinção política (unesp, 2011)
Sven Ove Hansson – Ciência e pseudociência (Crítica na rede, 2018 – https://criticanarede.com/fciencia.html
Walter Carnielli e Richard Epstein – Pensamento Crítico: o poder da lógica e da argumentação (Rideel, 2011)